Considerando que hoje a economia da Língua e da Cultura representam para além da geração em potência de um valor perto dos 20% do PIB segundo recentemente ouvi e de serem um motor por excelência da imagem e marca de um país no estrangeiro (como faz e muito bem a Espanha e como não faz e muito mal Portugal) analise-se este pequeno texto e diga-se o que nos aprouver:
O alfabeto português passará de 23 para 26 letras, com a inclusão em definitivo do k (capa ou cá), do w (dáblio, dâblio ou duplo vê), y (ípsilon ou i grego).
O uso de maiúsculas e minúsculas obedece a novas regras:
Os meses do ano e os pontos cardeais deverão ser escritos em minúsculas (janeiro, fevereiro e norte, sul, etc.).
Poder-se-á usar maiúsculas ou minúsculas em títulos de livros, no entanto a primeira palavra será sempre maiúscula (Insustentável Leveza do Ser ou Insustentável leveza do ser)
Também é permitida dupla grafia em expressões de tratamento (Exmo. Sr. ou exmo. sr.) em sítios públicos e edifícios (Praça da República ou praça da república) e em nomes de disciplinas ou campos do saber (História ou história, Português ou português)
A supressão de consoantes mudas tal como o nome indica, vai levar ao desaparecimento de consoantes, em que o critério para tal é a sua pronúncia.
cc - ex.: transacionado, lecionar. Mantém-se em friccionar, perfeccionismo, por se articular a consoante.
cç – ação, ereção, reação. Mantém-se em fricção, sucção.
ct – ato, atual, teto, projeto. Mantém-se em facto, bactéria, octogonal.
pc – percecionar, anticoncecional. Mantém-se em núpcias, opcional.
pç – adoção, conceção. Mantém-se em corrupção, opção.
pt - Egito, batismo. Mantém-se em inapto, eucalipto.
Passam a ser suprimidos alguns acentos gráfico em palavras graves: crêem, vêem, lêem passam a creem, veem e leem; pára, pêra, pêlo, pólo passam a para, pera, pelo e polo. As palavras acentuadas no ditongo oi e ei passam a ser escritas sem acento: estoico, paleozoico, asteroide e boleia, plateia, ideia. Existe também a supressão completa do trema(¨): aguentar (e não agüentar), frequente (e não freqüente), linguiça (e não lingüiça). Supressão do acento circunflexo em abençoo, voo, enjoo.
O uso do hífen vai ser suprimido em:
- Palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o sufixo começa em r ou s, dobrando essa consoante: cosseno, ultrassons, ultrarrápido.
O prefixo termina em vogal diferente da incial do sufixo: extraescolar, autoestrada, intraósseo.
formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de.
O hífen emprega-se em:
- Palavras compostas onde a última vogal do prefixo coincide com a inicial do sufixo, excepto o prefixo co- que se algutina ao sufixo iniciado por o: contra-almirante, micro-organismo, coobrigação.
palavras que designam espécies da Biologia ou Zoologia: águia-real, couve-flor, cobra-capelo.
Pode existir dupla grafia em algumas palavras?
Sim. Isso está previsto no novo acordo por existirem diferenças na pronúncia de país para país assim temos:
característica - caraterística
intersecção - interseção
infeccioso - infecioso
facto - fato
olfacto - olfato
conceção - concepção
súbdito - súdito
amnistia - anistia
amígdala - amídala
súbtil - sútil
académico - acadêmico
ingénuo - ingênuo
sénior - sênior
cómico - cômico
vómito - vômito
fémur - fêmur
abdómen - abdômen
bónus - bônus
bebé - bebê
puré - purê
judo - judô
metro - metrô
andámos - andamos
Argumentos a favor:
- Aproximação da oralidade à escrita
- Actualmente a Língua Portuguesa é a única que tem duas grafias oficiais
- Simplicidade de ensino e aprendizagem
- Unificação de todos os países de língua oficial portuguesa
- Fortalecimento da cooperação educacional dos países da CPLP
- Evolução da língua portuguesa
- Pequena quantidade de vocábulos alterados (1,6% em Portugal e 0,45% no Brasil)
- O português é o 5º idioma mais falado no mundo e o 3º no mundo Ocidental. A unificação das grafias permite aumentar, ou pelo menos manter a força da Língua Portuguesa no panorama mundial
Argumentos contra:
- Evolução não natural da língua
- Tentar resolver um “não-problema”, uma vez que as variantes escritas da língua são perfeitamente compreensíveis por todos os leitores de todos os países da CPLP
- Desrespeito pela etimologia das palavras
- A não correspondência da escrita à oralidade. Por exemplo, existem consoantes cuja função é abrir vogais, mas que o novo acordo considera mudas nomeadamente em tecto, passando a escrever-se teto, dever-se-ia ler como teto (de seio)?
- Processo dispendioso (revisão e nova publicação de todas as obras escritas, os materiais didáticos e dicionários tornar-se-ão obsoletos, reaprendizagem por parte de um grande número de pessoas, inclusivé crianças que estão agora a dar os primeiros passos na escrita)
- O facto de não haver acordo, facilita o dinamismo da língua, permitindo cada país divergir e evoluir naturalmente, pelas próprias pressões evolutivas dos diferentes contextos geo-sócio-culturais como no caso do Inglês ou do Castelhano
- Afecto com a grafia actual
- Falta de consulta de linguistas e estudo do impacto das alterações
E que tal um acordo com o Espanhol?
terça-feira, 22 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O PODER DA PALAVRA CONTRA A PALAVRA DO PODER
Palavra: Criação, instrução e instrumentalização de uma sociedade civil ao serviço do conhecimento do dado (datum) e não do facto (fabricado).
Poder: Quem em última análise produz a decisão que tem meios para que seja acatada.
Contra: Não um combate ou ataque directo mas uma contra-posição de ideias e aditamento de pontos de vista. Não se pretenda ser contra algo sem bem se compreender a outra parte.
A este respeito gostava que imaginassem uma manifestação em que manifestantes vestiam previamente fardas policiais e que os policiais se vestem de manifestantes antes desta ocorrência.
A pior coisa que pode acontecer a uma sociedade moderna é o silêncio dos seus sócios.
E, salvo melhor opinião, o pior silêncio é aquele que se impõe de discutirmos a questão gene, a da nossa própria existência enquanto país e em que condições.
Estas palavras que me proponho escrever por fortuna, acontecem na mesma semana em que 50% dos Portugueses se exprimiram a favor de uma Federação Ibérica.
Sendo partidário em abstracto desta ideia, com nuances e condicionantes, registo dois alertas.
O de que desconfio que estes 50% não sejam pela razão que deveriam, permitam-me, ser, e o de que os espanhóis (parecendo compreender) apenas deram assentimento a esta ideia em 30%.
Numa sociedade em que a economia parece ter tomado conta de toda a vida dos sócios, a vertente espiritual e de valores, que devia nortear tal resposta não parece ter contribuído de forma relevante para os números deste inquérito.
Não estou satisfeito. Uma sociedade que não questionou a bondade de estar separada há 900 anos, abre mão de todo esse componente social em favor de uma mão cheia de euros.
Nesse inquérito foi também concluído que os Portugueses aceitariam de bom grado o castelhano obrigatório nas escolas (o que até defendo), mas que os espanhóis não colocavam sequer a hipótese de o inverso acontecer (o que não admito).
Também já escrevi que para tal Federação não estão nem um nem outro país preparados. E que num casamento equilibrado ambos deverão compreender a necessidade da cedência. A Espanha não a compreende e Portugal até parece estar disposto a compreender que a Espanha não a compreenda.
Na nossa sociedade, movimentos civis são rechaçados em eleições por um povo possuidor de níveis de educação aparentemente mais altos mas que vão sendo cada vez mais delapidados em qualidade.
Um povo que se interessa pelo mediático, pela forma, pela sedução emocional em detrimento do racional, é facilmente manipulável e será por certo seduzido pelo apelo ao consumismo desmedido e à erosão do elemento espiritual.
Quando cidadãos mais atentos pretendem alertar, sob a capa de movimentos da sociedade civil, para o facto de que algo vai mal e que o elemento racional deve retomar o seu lugar, sabem também que os detentores do 4º poder, sobrevivendo sobremaneira do emocional não terão qualquer incentivo para os empolar.
Vencerá o truque, a mentira, a encenação? Direi que sim, no caminho que se segue.
O que fazer? Através da Internet, enquanto se mantém moderadamente livre, poderemos fazer a diferença.
Ademais, se o sistema não favorece de forma alguma a ascensão de tais grupos sociais, que haja a força e a atitude necessária para expelir a má moeda dos partidos procurando melhorá-los por dentro.
Eles detém o poder político, e a política é demasiado importante para que nos relaxemos e deixemos que as “boas moedas” sejam constantemente afastadas desses partidos.
Suportemo-las. Uma corrente de opinião dentro de um partido, no sistema actual, tem mais hipótese de, em tempo útil, contribuir com expressão para alterar o status quo de um poder fraco cuja propaganda é custeada pelos impostos da sociedade civil.
O discurso da causa e da consequência
A sociedade pós 25 de Abril é uma sociedade que tem vindo a melhorar alguns meios de diagnóstico, debate e crítica por meio da doxa (opinião) mas que escudando-se em Direitos fundamentais não é acompanhada de actualizada carta de deveres fundamentais.
É natural pois a falta do discurso da consequência. E especialmente falta de consequência política e financeira.
Eventualmente haverá poucos "fundamentais" a descobrir que resolvam os problemas sócio-económicos mundiais. O que há, salvo melhor opinião, é um olvidar permanente de palavras como consequência, assimetria informativa, risco e incentivos.
Ninguém combaterá a causa, se não tiver atitude necessária para assumir a consequência.
Este é o povo, o nosso povo, a quem alguém já apelidou de "o sem memória". Aquele que aprendeu a esquecer.
Mas não te esqueças amigo: se queres prever e mudar o futuro, conhece e estuda o passado.
Poder: Quem em última análise produz a decisão que tem meios para que seja acatada.
Contra: Não um combate ou ataque directo mas uma contra-posição de ideias e aditamento de pontos de vista. Não se pretenda ser contra algo sem bem se compreender a outra parte.
A este respeito gostava que imaginassem uma manifestação em que manifestantes vestiam previamente fardas policiais e que os policiais se vestem de manifestantes antes desta ocorrência.
A pior coisa que pode acontecer a uma sociedade moderna é o silêncio dos seus sócios.
E, salvo melhor opinião, o pior silêncio é aquele que se impõe de discutirmos a questão gene, a da nossa própria existência enquanto país e em que condições.
Estas palavras que me proponho escrever por fortuna, acontecem na mesma semana em que 50% dos Portugueses se exprimiram a favor de uma Federação Ibérica.
Sendo partidário em abstracto desta ideia, com nuances e condicionantes, registo dois alertas.
O de que desconfio que estes 50% não sejam pela razão que deveriam, permitam-me, ser, e o de que os espanhóis (parecendo compreender) apenas deram assentimento a esta ideia em 30%.
Numa sociedade em que a economia parece ter tomado conta de toda a vida dos sócios, a vertente espiritual e de valores, que devia nortear tal resposta não parece ter contribuído de forma relevante para os números deste inquérito.
Não estou satisfeito. Uma sociedade que não questionou a bondade de estar separada há 900 anos, abre mão de todo esse componente social em favor de uma mão cheia de euros.
Nesse inquérito foi também concluído que os Portugueses aceitariam de bom grado o castelhano obrigatório nas escolas (o que até defendo), mas que os espanhóis não colocavam sequer a hipótese de o inverso acontecer (o que não admito).
Também já escrevi que para tal Federação não estão nem um nem outro país preparados. E que num casamento equilibrado ambos deverão compreender a necessidade da cedência. A Espanha não a compreende e Portugal até parece estar disposto a compreender que a Espanha não a compreenda.
Na nossa sociedade, movimentos civis são rechaçados em eleições por um povo possuidor de níveis de educação aparentemente mais altos mas que vão sendo cada vez mais delapidados em qualidade.
Um povo que se interessa pelo mediático, pela forma, pela sedução emocional em detrimento do racional, é facilmente manipulável e será por certo seduzido pelo apelo ao consumismo desmedido e à erosão do elemento espiritual.
Quando cidadãos mais atentos pretendem alertar, sob a capa de movimentos da sociedade civil, para o facto de que algo vai mal e que o elemento racional deve retomar o seu lugar, sabem também que os detentores do 4º poder, sobrevivendo sobremaneira do emocional não terão qualquer incentivo para os empolar.
Vencerá o truque, a mentira, a encenação? Direi que sim, no caminho que se segue.
O que fazer? Através da Internet, enquanto se mantém moderadamente livre, poderemos fazer a diferença.
Ademais, se o sistema não favorece de forma alguma a ascensão de tais grupos sociais, que haja a força e a atitude necessária para expelir a má moeda dos partidos procurando melhorá-los por dentro.
Eles detém o poder político, e a política é demasiado importante para que nos relaxemos e deixemos que as “boas moedas” sejam constantemente afastadas desses partidos.
Suportemo-las. Uma corrente de opinião dentro de um partido, no sistema actual, tem mais hipótese de, em tempo útil, contribuir com expressão para alterar o status quo de um poder fraco cuja propaganda é custeada pelos impostos da sociedade civil.
O discurso da causa e da consequência
A sociedade pós 25 de Abril é uma sociedade que tem vindo a melhorar alguns meios de diagnóstico, debate e crítica por meio da doxa (opinião) mas que escudando-se em Direitos fundamentais não é acompanhada de actualizada carta de deveres fundamentais.
É natural pois a falta do discurso da consequência. E especialmente falta de consequência política e financeira.
Eventualmente haverá poucos "fundamentais" a descobrir que resolvam os problemas sócio-económicos mundiais. O que há, salvo melhor opinião, é um olvidar permanente de palavras como consequência, assimetria informativa, risco e incentivos.
Ninguém combaterá a causa, se não tiver atitude necessária para assumir a consequência.
Este é o povo, o nosso povo, a quem alguém já apelidou de "o sem memória". Aquele que aprendeu a esquecer.
Mas não te esqueças amigo: se queres prever e mudar o futuro, conhece e estuda o passado.
DIA DE PORTUGAL - O 1º DIA DO BLOG VIA DO INFANTE
Bom dia Amigos, companheiros e camaradas.
No dia de Portugal, 10 de Junho, e no seguimento do blog que venho escrevendo com 2 colaboradores integralmente em inglês:
http://buildingeurope.blogspot.com
Surge agora o fórum VIADOINFANTE que pretende não fazer os diagnósticos porque estão feitos, mas sim apontar caminhos, soluções, em suma uma via para o futuro onde procurarei rodear-me de todos aqueles que quiserem dar uma contribuição atenta e útil para este futuro.
Estará ligado ao blog:
http://espiralpositiva.blogspot.com
E pretende ser um espaço de formação e melhoramento de opinião com uma tónica de futuro sem esquecer que para o bem prever é preciso bem conhecer o passado.
O 1º texto a ser publicado irá chamar-se O PODER DA PALAVRA CONTRA A PALAVRA DO PODER e aqui estará ainda hoje.
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